O que a revisão da norma traz: digitalização, IA, ESG, liderança e qualidade acessível às PMEs — e por que a preparação começa agora.

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Por Ronie Adomaitis — Fundador da Qualidade Inteligente

Nos últimos 20 anos trabalhando com sistemas de gestão da qualidade, já vi normas nascerem, amadurecerem e mudarem completamente a forma como empresas operam. E posso afirmar: poucas revisões causaram tanta expectativa quanto a ISO 9001:2026, prevista para setembro de 2026.

Essa atualização promete ser um divisor de águas. Não apenas uma revisão técnica, mas uma resposta ao novo mundo corporativo, moldado pela transformação digital, pela pressão por sustentabilidade e por novas formas de liderança e governança.

A era da integração entre qualidade, tecnologia e propósito

Na Qualidade Inteligente, vivemos essa transição todos os dias. Atendemos construtoras que começaram o processo de certificação com planilhas simples e hoje integram seus controles em sistemas automatizados, com dados em tempo real. O que antes era preenchido à mão, hoje é validado por softwares e dashboards. É a qualidade se fundindo à tecnologia, e a nova norma vem justamente para reconhecer essa realidade.

A ISO 9001:2026 trará diretrizes claras sobre inteligência artificial, digitalização e gestão do conhecimento. Isso significa que as empresas precisarão demonstrar não apenas controle, mas também inteligência nos processos, transformando dados em aprendizado e decisões mais ágeis. Na prática, veremos a qualidade deixar de ser um setor e se tornar uma mentalidade digital, sustentada por informação confiável e tomada de decisão baseada em evidências.

Empresas que compreenderem seus riscos e oportunidades diante da digitalização e da sustentabilidade estarão um passo à frente na transição para a nova norma.

Sustentabilidade, ética e impacto consciente

Outro ponto que me anima é o avanço em sustentabilidade e responsabilidade social. Por muitos anos, qualidade foi vista como sinônimo de padronização. Hoje, ela é sinônimo de impacto consciente — fazer bem feito, de forma responsável, ética e sustentável. Essa mudança já é uma demanda dos clientes e agora passará a ser também um requisito normativo.

A norma se aproxima de conceitos de ESG (Environmental, Social, Governance), trazendo para o centro da gestão temas como mudanças climáticas, práticas responsáveis e respeito às partes interessadas. É a qualidade evoluindo para um patamar de maturidade organizacional e integridade.

Liderança que inspira, não apenas gerencia

A revisão reforça o papel da liderança, e isso me toca diretamente. Sempre acreditei que um sistema de gestão é tão forte quanto o líder que o sustenta. A nova ISO quer líderes mais próximos das pessoas, abertos ao diálogo e comprometidos com o propósito. Vejo isso como um convite à evolução da cultura organizacional, e não apenas à adequação documental.

Na QI, temos experimentado isso com nossas próprias equipes: quando todos entendem o porquê por trás dos processos, o engajamento cresce e os resultados vêm naturalmente.

Um novo olhar para as pequenas e médias empresas

Outro avanço importante será a simplificação e escalabilidade dos requisitos. Durante anos, vi pequenas construtoras desistirem da certificação por acreditarem que era algo “para grandes empresas”. A nova ISO quer mudar isso, tornando a adesão mais acessível e proporcional ao porte e à complexidade de cada negócio, sem perder a essência da melhoria contínua.

Essa democratização da qualidade é essencial. Ela precisa deixar de ser privilégio e se tornar instrumento de competitividade e credibilidade para todos os tamanhos de empresa.

O que vem pela frente

Estamos entrando em uma nova fase da gestão da qualidade: mais humana, mais digital e mais integrada. As empresas terão um período de transição após a publicação da norma, mas a verdadeira preparação começa agora, avaliando processos, repensando cultura e modernizando o olhar sobre gestão.

Mais do que uma atualização normativa, a ISO 9001:2026 é um convite à reflexão sobre o papel da qualidade no futuro das organizações: conectar pessoas, processos, propósito e tecnologia em um mesmo sistema vivo de melhoria contínua e inovação.

A ISO 9001:2026 vai exigir mais das empresas, mas também vai libertar a qualidade do papel e colocá-la definitivamente no centro da estratégia.

Como consultor e como alguém que vive a qualidade na prática, vejo essa revisão não como um desafio, mas como uma oportunidade extraordinária.

E, sinceramente, não há momento mais empolgante para estar nesse mercado.